Essa semana recebi um cacho de bananas dos meus vizinhos. Já havíamos ganhado amendoim, mandioca, melado, farinha, limão, tomatinhos... Iguarias que eles plantam e colhem e dividem com a gente. Nós também os ajudamos bombeando água com o nosso gerador. Isso me faz pensar em cooperação.

Cacho de bananas e amendoim que ganhamos de nossos vizinhos. Por Thauana

Mas na natureza também não encontramos apenas cooperação. Há competição, predação e tantas outras formas de relação. Por aqui também tenho percebido isso. Enquanto alguns encontros são marcados pelo acolhimento e pela troca, outros têm sido mais difíceis.

Sempre tive dificuldade de lidar com a reatividade do outro. Com falas impulsivas, ataques, situações em que parece não haver espaço para o diálogo. Minha reação quase sempre foi o afastamento, quando possível. Esse tipo de relação me causa muito desânimo e esgotamento.

Alguns dos conflitos que encontrei desde que cheguei aqui envolvem justamente limites de território. E talvez por isso tenham mexido tanto comigo.

Em alguns momentos pensei que seria mais fácil ir embora. Comecei então a observar esse impulso de me afastar diante do conflito e também a pensar sobre o que significa estabelecer um limite.

Limites são necessários. Delimitam um território, protegem aquilo que precisa ser protegido, dão contorno às relações. Mas colocar um limite não é o mesmo que controlar o outro.

Talvez seja possível sustentar aquilo que precisa ser protegido sem necessariamente transformar uma diferença em uma guerra.

Quando encontro a reatividade do outro, sinto meu corpo se contrair. Encontro o medo, a vontade de fugir, de não lidar com aquela situação. Me dou espaço para a intensidade ir se dissipando. Não tento resolver o problema naquele momento, evito alimentá-lo com pensamentos.

Depois de algum tempo, encontro mais espaço dentro de mim para olhar para a situação. O medo já não ocupa tudo. E então posso escolher permanecer.

Às vezes meu silêncio incomoda as pessoas que querem uma resposta rápida, mas é a forma que encontro de não repetir padrões.

Começo a não enxergar o outro como um inimigo, mas como um ser humano diferente de mim, atravessado por uma história que desconheço. Isso não significa concordar com suas atitudes ou deixar de estabelecer meus limites.

O medo de conversar ainda permanece. A reatividade do outro pode continuar existindo e talvez eu não saiba lidar com ela. Talvez eu ainda precise me afastar.

Tenho percebido também que nem todo silêncio é ausência de diálogo. Às vezes ele é o espaço necessário para que algo se acomode antes que possamos decidir se há mesmo alguma coisa a dizer.

Há limites entre aquelas casas. Há diferenças entre aquelas pessoas. Nem todas as relações serão fáceis. Algumas talvez exijam distância.

E, ainda assim, um cacho de bananas atravessou uma dessas fronteiras.

Até a próxima carta.

Entre raízes e silêncio,

Thauana.